Crescer significa:
Passar a ver o mundo com as suas reais dimensões.
Hoje em dia eu passo na casa em que minha avó morava e o portão que parecia tão alto, majestoso e protetor me parece tão… Transponível. Mas além do âmbito físico. Já não faz o meu dia ganhar um pirulito (embora isso ainda me deixe bem contente) e nem acaba com o meu dia perder o meu desenho favorito. Eu também não entro mais em desespero e começo a chorar se não consigo mexer no computador direito (é, eu chorava nas aulas de computação quanto tinha uns 6 ou 7 anos).
Desacreditar em toda fantasia.
O Natal nunca mais foi o mesmo depois que eu descobri que o Papai Noel não existe. Simplesmente não tem mais a mesma magia… Aquela espera, a felicidade de ver as bolachinhas comidas e o leite tomado, provas de que ele passara por ali. Receber o avião da Barbie. O trailer da Barbie. A casa de praia da Barbie. A casa de campo da Barbie. A casa da Barbie na Sibéria (o iglu da Barbie). Ano após ano um *insira qualquer palavra aqui* da Barbie. Agora, o Natal é comer peru, reunir a família e ganhar um bom livro da Barbie. Não que isso seja pouca coisa, ainda é meu feriado favorito, mas mesmo assim… Hoje é cinzas quando comparado ao que significou um dia.
Se deparar com os problemas do mundo.
Descobri que existe um mundo além da minha casa da Barbie, cujas bonecas sempre casavam. Todas elas com o mesmo cara, já que eu só tinha um Ken. (Poligamia inevitável). Sempre trabalhavam. Bem, na verdade elas deixaram de ser donas de casa quando eu ganhei a Barbie dentista; porque aí elas viraram… Dentistas. Ou secretárias de dentista. Ou ajudantes de dentista. Ou apenas donas de casa que iam ao dentista periodicamente. Também sempre tinham filhinhos (normalmente Fofoletes) e eram felizes para sempre comendo e bebendo alimentos invisíveis. Nesse mundo real que eu descobri, raramente os finais felizes acontecem. Hoje, os conflitos no Oriente Médio narrados no Jornal Nacional não soam mais como sânscrito; nem todo mundo mais parece bonzinho e bem-intencionado.
Se algemar às convenções sociais e perder a espontaneidade.
Medo de falar o que se pensa, como naquela vez em que eu respondi, com meus 7 anos, "NÃO!" quando o cabeleireiro me perguntou se eu tinha gostado do corte chitãozinho-e-xororó que ele me tinha feito. Vergonha de fazer o que dá vontade, como quando eu saía brincando de "siga o mestre" pelas ruas da cidade com as minhas amigas. Se preocupar com as aparências, em contrapartida àquele tempo em que eu usava sempre as mesmas roupas (boa e velha calça jeans pink), me assumia completamente e não tava nem aí.
Pensando bem, eu ainda uso sempre as mesmas roupas.
Mas aposentei a calça jeans pink.
Invejo muito as crianças. A capacidade que elas têm de dar valor às pequenas coisas… De enxergar o mundo com total pureza. Nunca escondi meu lado Peter Pan. Eu realmente não queria ter crescido, e espero não deixar morrer tudo o que restou da criança que eu fui um dia.
Saiba: todo mundo foi nenémEinstein, Freud e Platão também
Hitler, Bush e Saddam Hussein
Quem tem grana e quem não tem.
Saiba: todo mundo teve infância
Maomé já foi criança
Arquimedes, Buda, Galileu
e também você e eu."
(Adriana Calcanhotto – Saiba)

Natz, de Nathália, 18, moro em São Paulo, SP...
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19.10.2008
5:20 pm