Ontem, segunda-feira, foi meu primeiro dia oficial de férias. Fiz muitas coisas que eu já não lembrava mais como eram.
• Toquei piano. Não tocava há tanto tempo que meus dedos estavam enferrujados. Ou melhor dizendo (já que eles não são feitos de ferro para virar ferrugem), corroídos. Não eram mais formados de "dedo", mas de "óxido de dedo". Agora eu preciso reverter a situação durante as férias, talvez com uma eletrólise.
• Assisti à Sessão da Tarde, acho que pela primeira vez nesse ano. Incrivelmente, não era nem Lagoa Azul, nem Esqueceram de Mim. Era algo com crianças e férias de verão. (Só faltou o acampamento…). Não vi o nome, mas há uma grande chance de ser algo com "da pesada", "muito louco" ou "do barulho".
• Assisti a "Malhação", e me perguntei como pude gostar disso aos 13 anos. Descobri que o seriado está mais moderno, duas personagens até estão grávidas (ok, a gravidez da vilã é falsa, que clichê), e que finalmente escolheram uma música que não é do Charlie Brown Jr. para a abertura, mas, que surpresa!, é tão ruim quanto.
• Li um dos livros da pilha acumulada na cabeceira da minha cama. "Alice no País das Maravilhas". Eu preciso parar de ler livros infantis, mas não consigo, é mais forte do que eu.
• Assisti ao último DVD lançado pelo Hanson (que já estava criando bolor aqui no computador) no maior estilo tiete, cantando junto (inclusive os "oooh" e "yeahs") e batendo palmas.
• Pensei, mais de uma vez (!!!) ao longo do dia: "tá, e o que eu posso fazer agora?".
• Comi louca e ininterruptamente: comia um doce, dava vontade de um salgado; comia um salgado, dava vontade de um doce; sucessivamente, durante a tarde inteira.
Ao final do dia, fui acometida por duas complicações:
1. Enjôo.
2. Dor de cabeça.
O enjôo é completamente compreensível, por eu ter comido chocolate ao leite, Doritos, chocolate branco e biscoitos de arroz, nessa ordem, sem um grande intervalo de tempo entre uma refeição e outra.
A dor de cabeça é que me intriga. Eu passo um dia inteiro de pura vadiagem, e minha cabeça dói. A minha teoria é que o meu cérebro não se acostumou com essa nova segunda-feira.
Se eu não estivesse de férias, a minha tarde de início de semana se resumiria a:
1. Ficar sentada numa carteira desconfortável por, no mínimo, cinco horas, para fazer um simulado que, na melhor das hipóteses, seria padrão FUVEST (90 questões de múltipla escolha, sem redação);
2. Me preocupar com:
• A prova do dia seguinte. Sempre tinha uma prova no dia seguinte. Sempre. Mesmo.
• As provas dos dias seguintes dos outros dias da semana, que faltariam tempo pra estudar por causa das aulas extras à tarde.
• A redação semanal, que eu deveria ter feito no final de semana, e teria que ser entregue na quinta-feira, mas eu normalmente deixaria para fazer na quarta. À noite.
• As lições que eram importantes, mas eu nunca fazia.
• A pilha de jornais acumulados desde abril que no fundo eu sabia que não ia ler, mas mantinha-os lá só para agradar a minha consciência.
• O fantasma que todos os dias aparecia, arrastando suas correntes e sussurrando no meu ouvido: "o vestibulaaaaar está chegaaaaando".
Agora, nas férias, me dei ao luxo de esquecer temporariamente todas essas preocupações. É isso: o tédio me dá dor de cabeça. Tirar meu cérebro dessa rotina histérica tão abruptamente fez com que ele estranhasse e manifestasse sua inquietação através da dor. Preciso dar um jeito de avisá-lo que está tudo bem e sob controle.
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Ah! Sobre os comentários… Gostei da experiência de fechá-los. Nunca recebi tantas perguntas antes.

Natz, de Nathália, 18, moro em São Paulo, SP...
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1.07.2008
7:35 pm