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SÍNDROME DE TÉDIO
1.07.2008 7:35 pm Dia-a-dia, Diversao, Reflexoes, Teses, Topicos Natz CLOSED

Ontem, segunda-feira, foi meu primeiro dia oficial de férias. Fiz muitas coisas que eu já não lembrava mais como eram.

• Toquei piano. Não tocava há tanto tempo que meus dedos estavam enferrujados. Ou melhor dizendo (já que eles não são feitos de ferro para virar ferrugem), corroí­dos. Não eram mais formados de "dedo", mas de "óxido de dedo". Agora eu preciso reverter a situação durante as férias, talvez com uma eletrólise.

• Assisti à Sessão da Tarde, acho que pela primeira vez nesse ano. Incrivelmente, não era nem Lagoa Azul, nem Esqueceram de Mim. Era algo com crianças e férias de verão. (Só faltou o acampamento…). Não vi o nome, mas há uma grande chance de ser algo com "da pesada", "muito louco" ou "do barulho".

• Assisti a "Malhação", e me perguntei como pude gostar disso aos 13 anos. Descobri que o seriado está mais moderno, duas personagens até estão grávidas (ok, a gravidez da vilã é falsa, que clichê), e que finalmente escolheram uma música que não é do Charlie Brown Jr. para a abertura, mas, que surpresa!, é tão ruim quanto.

• Li um dos livros da pilha acumulada na cabeceira da minha cama. "Alice no País das Maravilhas". Eu preciso parar de ler livros infantis, mas não consigo, é mais forte do que eu.

• Assisti ao último DVD lançado pelo Hanson (que já estava criando bolor aqui no computador) no maior estilo tiete, cantando junto (inclusive os "oooh" e "yeahs") e batendo palmas.

• Pensei, mais de uma vez (!!!) ao longo do dia: "tá, e o que eu posso fazer agora?".

• Comi louca e ininterruptamente: comia um doce, dava vontade de um salgado; comia um salgado, dava vontade de um doce; sucessivamente, durante a tarde inteira.

Ao final do dia, fui acometida por duas complicações:

1. Enjôo.
2. Dor de cabeça.

O enjôo é completamente compreensível, por eu ter comido chocolate ao leite, Doritos, chocolate branco e biscoitos de arroz, nessa ordem, sem um grande intervalo de tempo entre uma refeição e outra.

A dor de cabeça é que me intriga. Eu passo um dia inteiro de pura vadiagem, e minha cabeça dói. A minha teoria é que o meu cérebro não se acostumou com essa nova segunda-feira.

Se eu não estivesse de férias, a minha tarde de início de semana se resumiria a:

1. Ficar sentada numa carteira desconfortável por, no mínimo, cinco horas, para fazer um simulado que, na melhor das hipóteses, seria padrão FUVEST (90 questões de múltipla escolha, sem redação);
2. Me preocupar com:

• A prova do dia seguinte. Sempre tinha uma prova no dia seguinte. Sempre. Mesmo.

• As provas dos dias seguintes dos outros dias da semana, que faltariam tempo pra estudar por causa das aulas extras à tarde.

• A redação semanal, que eu deveria ter feito no final de semana, e teria que ser entregue na quinta-feira, mas eu normalmente deixaria para fazer na quarta. À noite.

• As lições que eram importantes, mas eu nunca fazia.

• A pilha de jornais acumulados desde abril que no fundo eu sabia que não ia ler, mas mantinha-os lá só para agradar a minha consciência.

• O fantasma que todos os dias aparecia, arrastando suas correntes e sussurrando no meu ouvido: "o vestibulaaaaar está chegaaaaando".

Agora, nas férias, me dei ao luxo de esquecer temporariamente todas essas preocupações. É isso: o tédio me dá dor de cabeça. Tirar meu cérebro dessa rotina histérica tão abruptamente fez com que ele estranhasse e manifestasse sua inquietação através da dor. Preciso dar um jeito de avisá-lo que está tudo bem e sob controle.

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Ah! Sobre os comentários… Gostei da experiência de fechá-los. Nunca recebi tantas perguntas antes.



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